Um desfile etnográfico em Aguiar da Beira  2ª parte

Nesta sociedade atual, marcada pela sua grande fragilidade, pelo individualismo e integração no consumismo, as festividades populares provam também que são espaços sociais privilegiados na construção de identidades coletivas. A identidades, é um valor fundamental para a constituição duma sociedade ativa e, como é óbvio, capacidade para projetar valores sociais. Assim as festas populares são pontos de convívio salutares para a consolidação doutros valores, doutra cultura.

Cultura Popular e Modernidade é um tema atual das sociedades contemporâneas, da transformação duma cultura direccionada para o consumo com influência na formação das personalidades dos mais novos, e na edificação de novas formas de vida em que o ser humano fica consequentemente desintegrado e como que fragmentado. 


É o afastamento dos valores que o ligam a seus conterrâneos no espaço e no tempo e ao transferir a satisfação do seu bem estar para o mundo materialista, tornam mais difícil a possibilidades de se constituir como homem de sua própria existência.

A modernidade, a invadir as nossas sociedades, traz a auto-afirmação do indivíduo livre e, inclui uma convulsiva movimentação de objetos e símbolos criando condições à degradação e comercialização dos eventos culturais, e à infiltração de padrões culturais e comerciais doutras "culturas" no interior das nossas "culturas".

Esta nova forma de vida que o mundo moderno transmite, e consequentemente com os transtornos nas vidas das pessoas e sua sociabilidade, levanta uma série de interrogações, que acabam por não ter resposta. Passamos então para o mundo mundo da velocidade, das transformações constantes, do fluxo constante de informaçãe e contra-informação, as deslocações, para esta nova forma de viver transimitda pelos média a proliferar aos valores tradicionais com tendência dominante, à qual a sociedade é fatalmente integrada, sem capacidade então de ir encontro à sua estabilidade e memória.

É, então, permissível que prosperem, diversas acções para recuperar, mesmo em teoria, os verdadeiros pilares da sociedade.
No mundo atual, o grande modernismo passou a ser o mercado, desintegrando o social, rubotizando o homem, transformando as suas convivências em amizades mercantis.

Porém de alguma forma já muitas pessoas procuram sobreviver e dignificar sua condição de ser humano em busca de uma qualidade de vida recompensatória.

Então muitas correntes de hoje já colocam na mesa o diálogo e a discussão da continuidade da valorização às festas religiosas tradicionais e às expressões culturais.

Na apresentação que faço neste desfile etnográfico de Aguiar da Beira em 2009, já se verifica a pululação de numerosas manifestações culturais tradicionais que é bom que prosperem e se mantenham ativas, e são modernizações vivas da memória coletiva da comunidade, com a vantagem de serem localizadas em Vilas do interior.
Este desfile mostrou uma grande criatividade, capacidade de integrar grupos e de conservar a memória coletiva.

Observamos um grupo, já muito bem formado "Raízes da TERRRA" de Aguiar da Beira, produtor da cultura tradicional já com muito nível, claro, sobrevivendo graças à memória individual e coletiva, pois discutir culturas populares corresponde a uma expressão atualizada da memória do grupo, e oportunidade para se reafirmarem os valores quase sempre subestimados pela sociedade que se afirma de mais moderna e citadina.
Estas expressões culturais populares expontânes das várias freguesias de Aguiar da Beira são a apresentação do seu capital cultural único que possuem, procurando mostrar os valor e tradição de suas aldeias, e serem reconhecidos pela comunidade da Vila.