São Salvador do Mundo - São João da Pesqueira

O povo do Douriense, quer seja nos vinhedos ou no seu rio mostra sempre uma recepção calorosa a quem os visita, e tal se deve às caraterísticas comuns destas gentes que, ao longo dos séculos, habitaram e souberam modificar este território de Portugal. São a lealdade e a hospitalidade os atributos mais enraizados nestes, e a assinalar também a integridade do caráter.
Porém existe neles um dado aparentemente incoerente, mas que sabem conciliar, a individualidade e o comunitarismo. É que, embora, sendo auto-suficientes, têm necessidade em gerar valores comunitários, criando laços com os conterrâneos, amigos e vizinhos. na criação de valores comunitários para assim responder às suas necessidades.

O percurso do ser Humanos pela aspereza deste rio e montanhas, os nove meses de inverno e três de inferno (calor extremo), medos das trovoadas e grandes chuvadas, criou um sentimento de insegurança comunitário, tornando-o muito crente em relação a Deus.
Visualizou-o no sol, nos frutos, nas fontes... e tornou sagrado os lugares onde o sentia: igrejas e capelas, nichos e alminhas, os passos da via sacra, as procissões e os cânticos.
A festas, nomeadamente o resumo que apresento de São Salvador do Mundo, anexo a São João da Pesqueira, é uma necessidade desta gente. É o aspecto da interrupção que esta apresenta em relação à rotina diária. Momentos de extremos e transgressões, alegrias gratuitas.
Porém, em paralelo, verifica-se a melhor forma de expressão da religiosidade popular: sente-se a ligação com o invisível, e a aliança do povo com Deus