Riodades, São João da Pesqueira - Procissão à Nossa Senhora da Alegria

O Homem da Beira interior tem caraterísticas de muito humano e sensível, crente e religioso, não manifestando contudo sinais de fraqueza; tenta evitar conflitos, porém, ferido na sua vaidade, pode ser cruel.


A religiosidade apresenta o mesmo fundo humano caraterístico do Beirão. Não tem o carácter abstracto, místico ou trágico, mas tem uma forte crença no milagre e nas esperanças milagrosas.

Nos filmes que apresento da Procissão e veneração do Povo de Riodades Pesqueira à Nossa Senhora da Alegria, sua Padroeira, observamos nos seus habitantes, vizinhos, e conterrâneos emigrantes da Alemanha, França e Suiça, a denotar-se um ambiente originador dum estado de alma singular, a que o Beirão denomina saudade.

Saudade, estranho sentimento de ansiedade. Neste tema, a saudade é um sentimento poético de fundo religioso e bairrista, que se contemporiza na repetição obstinada anual do sentimento deste lindo evento. Observa-se a ânsia permanente da distância, do mundo divino, ou mesmo de outras vidas. E é saudade pela aldeia que traz os seus filhos de longe como força activa, em que o espírito os alimenta das glórias passadas na comunidade, e do amor que lhe tem, porém caindo ao final do dia na nostalgia.

Denota-se o fundo religioso cristão a ter a mesma feição humana, acolhedora e tranquila.
Aqui é também a Igreja portuguesa de Riodades, a nova, caiada e sorridente, a antiga inocente e recatada na pureza do granito - simplesmente a casa do Senhor. Nos templos da Aldeia há um ambiente acolhedor, povoado por santos bons e humanos. São templos simples sem grandes abstracções, ou ideias a ultrapassar o sentido humano.

É realmente o nosso estilo próprio, onde o manuelino melhor se exprime face à religiosidade portuguesa

Vale apena assistir-mos a esta linda cerimónia religiosa, onde, no final e após a procissão e missa, cantamos e sentimos o Cântico do Adeus a Nossa Senhora, onde mais uma vez se mistura a emoção com a saudade.