Pinhão, um Domingo de Agosto 

a azáfama de cruzamento de comboios

Em 2017, os investimentos nas linhas férreas, vão quase sempre para as ferrovias de alta velocidade, tema de base das agendas política e económicas.

Porém não nos podemos esquecer de tempos ainda recentes das nostálgicas e morosas viagens pelos caminhos-de-ferro construidos após a revolução do vapor. E vale a pena retrocer a apenas cerca de 30 anos atràs e experimentar este meio de transporte, um comboio a vapor pelo Douro, última locomotiva viva a circular em Portugal.

Foi em finais do Século XIX, que se chegou à conclusão que caminho-de-ferro seria a solução para ligar de forma rápida o isolamento em que se encontravam as Vilas e Cidades de Portugal tirar Portugal. Atraso explicável em parte, pelo perfil montanhoso da maior parte do País, pelas perigosas viagens ao lado da costa marítima que só permitiam ligação entre as principais localidades do litoral e pelos morosos e perigosos caminhos terrestres, que isolavam a maior parte das localidades portuguesas. 

Tudo arrancou em Lisboa no ano de 1853, marco para a História de Portugal com o lançamento da primeira pedra do primeiro troço ferroviário português.

E foram três anos depois, em 1856 que os lisboetas observaram a partir de Santa Apolónia a abertura do caminho-de-ferro. Foi inaugurada a primeira viagem de um comboio por Portugal. Foram trinta e sete quilómetros entre Lisboa e o Carregado, sendo considerado um grande acontecimento nacional.
Foi a primeira etapa da construção da grande rede ferroviária portuguesa.

Em 1872 a linhas do Douro estava em exploração.Seguia do Poro para leste à procura do rio Douro, subdividindo-se depois. nos ramais aproveitados dos vales dos seus afluentes: Tâmega, Corgo, Tua e Sabor.

A implantação da linha do Douro privilegiando o vale do seu rio, contornava-se mais facilmente o relevo montanhoso. Porém, foi ainda foi necessário construir trinta e cinco pontes e vinte e três túneis para a levar até Barca de Alva.

A linha do Douro herdou o nome do rio que a acompanha. Porém o rio Douro somente lhe surgiu pelo caminho, após a partida do Porto aos 50 quilómetros de viagem, depois do apeadeiro de Pala.

O encontro então com o rio é fascinante para grande parte dos passageiros, verdadeiro poema épico.

Desde este apeadeiro, o Douro, acompanhará o trajeto ferroviário até à fronteira com Espanha. Os dois nunca mais se separarão até Barca de Alva, tornando esta viagem ferroviário invulgar e uma das mais agradáveis viagens de comboio em Portugal.

Na fronteira, após 212 quilómetros de linha, localizava-se o seu fim na última estação: Barca d'Alva.

Com o encerramento do troço de 28 quilómetros entre o Pocinho e Barca de Alva, ocorrido em 1988, ficaram amputados estes escassos quilómetros da gloriosa linha. Hoje, o comboio da linha do Douro vai até Pocinho, o ponto final da sua viagem, ficando os 28 Km de linha e paisagens acolhedoras, ao abandono, em proveito dos barcos