Os nosso velhinhos em Sernancelhe 2008, um encontro de lazer

Velhice não está associada a má qualidade de vida
Porém o processo de envelhecimento pode ser heterogêneo e pode levar a duas situações-limite: uma com qualidade de vida muito ruim e outra com excelente qualidade de vida.

Na nossa sociedade atual, existe um desejo que se constata desde cedo: o de viver cada vez mais. 

A longevidade é intensamente desejada pela maioria de nós, desde que sob certas condições:
- não ficar dependente
-não ficar velho
Porém não é possível envelhecer, sem ficar velho. É esta a realidade no plano atual do desenvolvimento tecnológico e científico da humanidade.
E aqui está a contradição, reforçada pela associação frequente entre a velhice e experiências negativas.
A maioria das pessoas deseja viver cada vez mais, porém a experiência do envelhecimento (a própria e a dos outros) traz angústias e decepções. Essa visão negativa pode levar ao "medo de envelhecer" e ao "desejo da eterna juventude".

Viver cada vez mais tem implicações importantes para a qualidade de vida. A longevidade pode ser um problema, com consequências sérias nas diferentes dimensões da vida humana, física, psíquica e social. Esses anos vividos a mais podem ser anos de sofrimento para os indivíduos e suas famílias, anos marcados por doenças, declínio funcional, aumento da dependência, perda da autonomia, isolamento social e depressão. No entanto, se os indivíduos envelhecerem mantendo-se autônomos e independentes, com participação na sociedade, cumprindo papéis sociais significativos, com elevada auto-estima e encontrando um sentido para suas vidas, a sobrevida aumentada poderá ser agradável e de significado.

O envelhecimento populacional é uma conquista da Humanidade. É o resultado do desenvolvimento da sociedade, prova inequívoca da vitória do ser humano sobre os contratempos e adversidades da Natureza.
O paradoxo é que esse envelhecimento populacional costuma ser visto como um problema pela maioria dos governantes e políticos, planejadores.
É vitória, mas é problema, ou, é vitória e problema. O motivo de tal situação paradoxal é que ela pode ser um fracasso, um gosto amargo no final, pois os anos ganhos a mais na sobrevida podem significar anos de sofrimento e infelicidade, um tempo de perdas, incapacidades e dependência.

Concluimos que as pessoas querem viver cada vez mais, desde que a sobrevida aumentada lhes proporcione uma vida com boa qualidade.

É verdade que, no nosso país, muitos dos idosos são pessoas com menos possibilidades duma vida digna, dada não apenas a imagem social da velhice, vista como época de perdas, incapacidades, desilusões, dependência, mas, também, pela situação real de reformas insuficientes, analfabetismo, desqualificação tecnológica e exclusão social. Pelo menos da maioria. Todavia perante condições tão adversas, encontramos idosos que se sentem felizes, que se dizem contentes com suas vidas.

Como o envelhecimento é uma experiência heterogênea, cada indivíduo orientará a sua vida de acordo com padrões, normas, expectativas, desejos, valores e princípios diferentes. Há, assim, necessidade de instrumentos multidimensionais, sensíveis à grande variabilidade dessa população. Esses instrumentos devem considerar as especificidades dessa faixa etária, pois que, em virtude de seus valores e experiências de vida, os idosos diferem dos mais jovens. Além disso, fatores relacionados à idade afetam a saúde, dimensão importantíssima para a qualidade de vida na velhice. É também nessa fase da vida que ocorrem diversas situações sociais (reforma, viuvez, dependência, perda de autonomia e de papéis sociais, diminuição da rede social de apoio e outras mais), colocando obstáculos a uma vida de melhor qualidade.

Conforme podemos vizualizar na apresentação que recolhi em 2008, evidencia-se bem a felicidade dos nossos Velhinhos afetos ao Lar de Ferreirim e Fonte Arcada, num, dos seus habituais encontros de lazer, dinamizados por um Homem de alta dimensão Humana, O Padre Diamantino de Sarzedo.