Identidade cultural de Vila da Ponte - Sernancelhe

Inicio este post com a apresentação deste singelo poema dedicado à nossa Aldeia de Vila da Ponte, da autoria de minha Cunhada, Fátima Carneiro:

A MINHA TERRA (Sentimentos)
Como me sinto bem na minha terra,
tudo fica tão diferente em mim!
Anda comigo o perfume da serra
e, das flores frescas do meu jardim.
Escuto os passarinhos a cantar
as melodias pela manhazinha
a sua música me vem alegrar
quando muitas vezes estou sozinha.
O meu olhar fica preso em qualquer lado,
neste nosso rio que é o nosso mar.
O rio Távora assim tão transformado
num espelho onde me posso mirar.
Não me canso de ver o que já vi
como se fosse p´la primeira vez.
O meu coração sempre me sorri
e, este sorriso nunca se desfez.
Como me sinto bem na minha aldeia,
no seu silêncio e no seu viver.
Na paz e harmonia que me rodeia
que invade de emoções todo o meu ser.

Fátima Carneiro
Agosto de 2017

A construção da identidade na nossa sociedade vincula-se na interação do ser humano com o meio social no qual está inserido, permitdo assim que este se localize no habitat propício.

Assim se cria o património imaterial, como tudo o que merece ser conservado. Com como valores materiais e imateriais de identidade duma determinada sociedade humana, cria-se a sua identidade.
Assim património edificado é o elemento de referência na construção da identidade. Dele, como referência simbólica essencial, é possível ler a evolução da história, o passado, o presente e até mesmo o futuro.

A nossa identidade cultural de Vila da Ponte, representa a memória, a consciência coletiva dos VilaPontenses, a respeito das quais cada um extrai, conforme podemos observar nos filmes, espontaneamente, determinados comportamentos e atitudes que todos consideram significativos
A nossa Identidade Cultural, é a nossa Sociedade. Captada, através da nossa história, dos nossos costumes, da nossa produção literária e artística, da nossa música, da ruiqueza dos nossos monumentos, das nossas tradições orais. É o verdadeiro o sentimento que é experimentado pelos nossos habitantes que se reconhecem nesta culturada nossa Aldeia

Porém nestes periodos de acentuadas modernices, continua a ser vulgarmente aceite que a população, se sente orgulhosa daquilo que é característico, que é símbolo da sua terra, do seu povo e da sua região.
Todavia, as vidas modernas vêm oferecendo, progressivamente, a aprovação dos padrões da vida citadina já com pleno alcance até às aldeias mais características do típico mundo rural.

Fenómeno natural que todavia não nos dispensará de conhecer, valorizar e cultivar algumas características mais notórias e importantes do nosso povo aldeão, já que elas revelam a nossa identidade, solidificada no legado das canções populares, nas danças e nas artes poéticas de que o Povo é, grande sábio.

Algumas destas canções são sem dúvida nativas, de apreciável dedo poético e musical, como se evidencia numa das peças deste post através do "Hino da Vila da Ponte", bastante reveladoras da simplicidade criadora do povo, capaz de produzir, a seu modo, obras perfeitas poéticas e musicais.

A originalidade de algumas das cantigas apresentadas são da exclusiva autoria das gentes de Vila da Ponte. Outras, como as cantadas pela D. Clarinda são tidas como pertencentes ao património geral do folclore Português.

O património humano mais antigo de Vila da Ponte, foi assimilando, variando com diversos vocábulos e variações musicais, como expressão do seu sentimento e da sua sensibilidade conforme é visível no fado cantado pela D. Clarinda Anicecto.

A realidade é que é este povo beirão que, com toda a simplicidade, assume e conserva as suas canções tradicionais, transmitindo-as de geração em geração, até ao momento actual, está já mesmo, quase no limiar do dessaparecimento.

Há poucas dezenas de anos, o povo de Vila da Ponte, era conhecido pelo seu talento em apresentações teatrais, cantava as suas canções nas segadas, nas mondas, nas vindimas, e nos dias festivos e romarias.Os intervenientes em todas estas apresentações teatrais e cantigas populares, a elas se davam com espírito e coração.

Correspondia às tradições, aos divertimentos, o alívio do excesso de trabalho, à valorização da vida, e o impulso nato da invencível força da arte e animação.

Há anos atrás ouvíamos cantar, tocar e assobiar, por toda a aldeia, e pelos caminhos circundantes, o Zé Augusto com o realejo, O Sr. Armandino e o Sr. Germano com os bombos, os pastores, as crianças na Praça à mistura com o chiar dos carros de bois, dos cães a ladrar, os burros a roznar, cabras e ovelhas com o seu mémé característico, e toda a passarada que, voando o pendurada nas árvores, cantavam e chilreavam.

Era a verdadeira vida, o verdadeiro mundo rural, mundo a pulular de tudo que era vida, encanto e talento.

Será importante e urgente, tal como observei na aldeia das Arnas de Sernancelhe, Arcozelo da Torre - Mtª Beira e Barcos-Tabuaço que se criem também por cá associações que, consigam reavivar o afecto e desejo profundo de quantos ainda mantêm acesa a vivência - impossível de contar - de um folclore que é mesmo vida anímica, vida de valores e vida exemplar.

Há que avançar, porque temos uma magnífica quantidade de especificidades culturais a preservar, com infindável legado para nós os contemporâneos e próximas gerações.