Festa Religiosa de S. Baptista em Vildemoínhos, Viseu

Os festejos de Verão em honra aos padroeiros das nossas aldeias, equivalem ao verdadeiro sentimento da cultura e fé da população beirã.

São festividades anuais a sucederem-se pelas várias aldeias onde todos, crentes ou não, mais praticantes ou menos, participam com emoção.

A festividade que apresento, acontece em louvor a S. João Baptista de Vildemoinhos. Aqui também é notória a devoção do povo, o manifesto da sua religiosidade, a festejar com uma alegria espiritual transbordando e bem evidente nos seus rostos.

Os que se ausentaram imperiosamente da Nação, com pretenção em objectar às carências lá longe no Estrangeiro, levam na bagagem a imagem da Santa devota da aldeia e de Nossa Senhora de Fátima, as suas protectoras da saga da emigração.

Lá longe, nas horas difíceis, lembram-se da verdadeira dimensão da Pátria dos seus antepassados, choram e sentem o grande valor da vitalidade e alma que é Portugal.

Há poucos dias recebi o texto que apresento, duma alma de descendência lusitana, ausente de Portugal, que convulsivamente aclama as suas profundas raízes:

DECLARAÇÃO A MEU PORTUGAL PORTUGUÊS!
Hoje senti pulsar em minhas veias, minhas origens.....senti o pulsar
do sangue lusitano, o sangue do amor e da poesia, onde a ternura e a
simplicidade sao os gestos vivos da minha alma que se arrasta em
saudades da sua terra....
... Pureza nitida e contida no ser,...onde o ser se encontra na
profundeza do meu amor e do destino seu.
Vou ao seu encontro todas as noites, mas voce nao pode sentir-me...Oh
Portugal do canto do meu encanto.
Onde andas meu encanto?
Transformaste-me em pranto?
Tenho andado pelos cantos em prantos, em desatino desabor que sua
ausencia me causa.
Oh Portugal portugues, ... estas distante de mim outra vez!....

O carinho e a devoção são bem expressos na presença constante que os conterrâneos ausentes para a cidade ou estrangeiro, mantêem pela terra, que os faz anualmente chorar de alegria e emoção quando a revêem.

Tão agradáveis estes periodos de Verão, os tempos mais relaxantes para as nossas aldeias. O povo sente-se livre do stress quotideano, com boa disposição, tempo para os amigos e família, situando a conversa em dia. Nota-se roupa nova, divertimento e emoção.

São espetáculos de devoção que não podem acabar.
Embora um pouco diferentes de há algumas dezenas de anos atràs, é por que os tempos também mudaram. Porém continuam a ter o cunho da nossa religiosidade popular, unindo a fé e a incólume alegria popular.

São a mais valia ao robustecimento e identidade das várias aldeias, ao encontro em que todos se cruzam com as suas raízes, evocanodo memórias comuns.
Sente-se o convívio de forma simples e alegre, os residentes procuram apresentar cortesa.
Em análise, sentimos, nestes tempos de individualismo e estranheza mútua, a grande necessidade em apreciar e salvar estas festividades religiosas dos Santos Padroeiros, como forma de enriquecimento pessoal, social e católico.

E é bom também neste ambiente religioso de fé, sentir-mos a dimensão solene e sagrada presente, que nos constrange a contemplar a dimensão transcendente da vida.

Na verdade todos nós damos apreço a estes fenómenos religiosos, participando na missa e procissão, enfeitando as ruas e as casas para o grande momento, a forma de mostrar o apreço pelos actos religiosos.