Carnaval ds Caretos, desfile dos Mascarados

Apresento nesta publicação o desfile dos mascarados, incorporado no carnaval dos caretos de Bragança, condimentado com tocadores de bombos, de gaitas de foles e pequenas orquestras.

As origens do Carnaval remontam às Saturnais romanas, festas em honra do deus Saturno, associado à paz e à opulência, em que a ordem social vigente era quebrada e onde se permitiam alguns excessos.
As Saturnais funcionavam como uma restauração provisória do reino de Saturno, deus romano da agricultura e das sementeiras. O objectivo era comemorar o novo ano ou a chegada de Primavera, num desejo de exorcizar os males do Inverno e preparar o início de um novo ano cheio de fertilidade.

Antes da reforma cesariana do calendário, o ano começava em Março, pelo que a despedida do ano velho e as boas-vindas ao ano novo aconteciam em Fevereiro ou Março. Nessa altura, reinava a ausência de pudor, a licenciosidade e a ausência de valores. Na origem das Saturnais romanas estão os festejos consagrados à divindade egípcia Ísis, a deusa mais importante da mitologia egípcia. Porém, estes festejos em honra de Ísis haviam sido inspirados nas celebrações dos Gregos, que homenageavam Dioniso, deus do vinho e do excesso orgiástico.

Durante o período das Saturnais, a ordem social era completamente invertida e os valores totalmente descurados. As classes sociais mais baixas passavam a dominar as mais altas e até os escravos se sobrepunham aos seus senhores. Homens transformados em mulheres ou senhores a servir os seus escravos eram comportamentos comuns durante esta época festiva. Tudo isto era visto como um rito de fertilidade, com vista a acolher o novo ano agrícola com perspectivas optimistas em relação às colheitas.

Desde sempre que o Homem se dedica a ritos e rituais que possam, de alguma forma, agradar aos deuses e impedir que o ciclo da criação se feche. Deste modo, o dedicar do início do ano agrícola aos deuses era uma forma de assegurar a prosperidade e fertilidade do mesmo.

Com a chegada da cultura cristã, os deuses foram esquecidos mas os festejos mantiveram-se, despojados de espiritualidade, é certo, mas envoltos em fantasia e divertimento.
O Cristianismo veio relacionar o período do Carnaval com a Quaresma, uma época de abstinência para os crentes.
Tal como o início do novo ano agrícola pretendia ser uma purificação e renovação das terras, com vista à desejada fertilidade, também o período da Quaresma se destina à purificação do corpo e da alma, preparando-os para o renascimento da vida.

Das Saturnais romanas, o Carnaval ocidental herdou o espírito de licenciosidade e de inversão de valores e ordem social. Se na época dos Romanos os senhores se transformavam em escravos, actualmente o povo domina as ruas.
No fundo, tudo continua a ser permitido durante os três dias que antecedem a Quaresma.