A vida é isto

A vida tem os mais diversos percursos e cenários ao longo do seu percurso. 

O que importa é saber viver a imensidão de momentos que nos surgem a cada momento.

Os dias passam, as horas por vezes voam, e ainda bem, porque os bons momentos do dia, só sabem bem quando são temporários. Tudo o que tem encanto não pode ser cativado, porque isolar o encanto é destruir esta virtude.

As lindas paisagens e naturezas do Douro que apresento, maravilham-nos; o microclima existente é propício a uma diversificada flora de cariz mediterrânico. As plantas encontradas a par do adiantamento da maturação dos frutos, a contrastar com zonas geográficas vizinhas, seduz-nos a visitas frequentes a este espaço privilegiado, deixando-nos fascinados.

Porém quem lá vive e coabita no dia a dia com a imensidão das "paisagens paradisíacas" envolventes, não se apercebe do encanto e admira-se de tanta visita turística, que mais parece uma peregrinação a um Templo Religioso

Aquelas lindas plantações de flores espalhadas por toda a marginal do Douro, coabitando com as elevadas temperaturas de Verão ou os frios de Inverno, apresentam sinais de robustez e saúde. Se trouxermos algum exemplar para nossa casa, propiciando as melhores condições de temperatura humidade e nutrição, a planta pode tornar-se mais pálida com perca da vitalidade, porquê?

É que o bem estar do ser humano, e neste caso a flora indígena, sobressai quando coabita e prolifera no seu habitat natural.

O encanto para nós (vizinhos do Douro e turistas), do património paisagístico local, (e daí a exclamação dos seus habitantes), vem do facto de não nos pertencer, e sobretudo de ser diferente das nossas terras.

O encanto alivia-nos da rotina do dia a dia. Estando na nossa posse e no nosso visual diário pode perder o interesse.

Amar o nosso mudo é o que referi: ficar ao lado mas sem estar sempre no mesmo local: é viver. A vida é isto.

É verdade, o bem estar da vida, é sentir-mos o encanto do dia a dia, e que o vamos descobrindo, não a retendo e sem lamentações de tempos passados.É verdade, viver é ser-mos desinteressados pelo materialismo, o desempenho de desprendimento. É o bem estar propiciado em deixar que o tempo leve o que lhe pertence, ficando só o importante para continuar a viver.

Tudo na vida tem o seu encanto, mesmo o próprio recordar é viver. O passado, é a nossa grande escola. Insucessos e desilusões, fazem parte da nossa maturação.

O que é importante é saber afastarmo-nos dos obstáculos de passagem. A vida deve seguir duma forma natural, pois, além de não haver tristeza permanente, também não existe alegria constante. Estes sentimentos coexistem nas nossas vidas, e temos de possuir estrutura para os controlar. Assim sendo conseguimos tolerá-los, e temos então capacidade em sobreviver.

Afinal existem maravilhas no nosso dia a dia, mas apenas são momentos e mais momentos ao longo do percurso diário, e constantes. Aquelas plantas que vejo no Douro, onde vou de quando em quando para as fotografar e apreciar o seu ciclo, não caio na tentação de trazer alguma para casa. Além de as afastar do seu habitat, fragilizando-a, também o porquê do grande encanto nelas, é porque sei que a sua sobrevivência é incompatível no meu meio, logo não poderei ter posse dela. A paisagem mediterrânica do Douro só tem encanto porque não a possuo e lá não vivo.

O encanto da vida está nos vários momentos que se vão sucedendo ao longo do dia, e é quanto basta, para que, ao desejar ver as plantas e paisagens do Douro, é só uma questão de determinar momentos dum dia à escolha e lá voltar.